Carta para o Senhor Schultz

Ao Senhor Schultz, lhe escrevo.

Senhor de Ariquemes… Tua terra me faz lembrar Arquimedes, o pensador estático de Siracusa, pai de Galileu e de Newton.

Tens um não sei o que de inventor…

Como passa?

Na ópera sob humana do silêncio

Caim matou Abel
Eu digo que não
Abel matou Caim
Eu digo que sim
Estou enrolada nos cabeolos e

nas entranhas coliformes da Medusa
Só digo talvez.

Sofro por uma inquietação.

Talvez seja meu eu dramático gritando. Como bode expio a Lua em Leão insana, gorda e dourada que se projetava no dia do meu amanhecer.

Talvez seja um mero sintoma sofrer de febre poética crônica e encalacrada feito costas de caramujinho verde-oliva, que às vezes anda, às vezes decorre, às vezes pesa, às vezes desgasta, às vezes pulula dentro do meu ser mal-estar que mal consigo ficar parada.

Adormeço. Acordo e grito. Enamoro o luar. Choro poemas ou simplesmente suspiro. Esse último só aparece quando nenhum dos cinco é bem-vindo. Às vezes as sensações simultâneas e sucessivas se entrecruzam. Descarga catártica.

Eu não recalco sentimentos. Esse tempo já passou.  Recalque são ladrões do tempo. E o tempo, este safado lúdico, brinca como o Coelho traquinas e sai correndo de pijamas. O tempo passa com seu rabo felpudo e engraçadinho e às vezes a gente não vê que perdeu grandes joias, valias e tesouros. O tempo nos distrai de sorrir…

Confesso que achei uma praga corrosiva ter te visto na rua naquele dia, porque afinal de contas você não me viu; estava em companhia de minha mãe, que não ousaria em parar o carro pra te dar carona. Aí não fiz nada senão enterrar algo bem pra dentro de mim e deixar que os pensamentos se dissolvam no plano Maya. Ilusão.

Depois fui à casa de uma amiga, caminhei, senti fome, mas dominei e depois esqueci. Permanecia calada e inquieta, inquieta e calada, conforme a desordem dos meus sentidos. Neste dia, não quis me perder em devaneios na rua, o que às vezes faço e me rende caminhadas longínquas. Apenas andei maltrapilha pela Ultraje dos Reis rumo à boca do cavalo, na esquina desci pela Treze de Maio. Lembrei que hoje era o último dia para ver a peça “Sidéria”, ópera paranaense feita por Augusto Stresser. Entrei.

Procurei traços da sua face, seu queixo quadrado e suas sardas meiguinhas no meio dos corpos estranhos abafados por tudo e por todos, até nos atores. Falhei. Teci a sensação da memória do nosso último encontro com o desejo. E o resultado foi um fio ralo, vermelho, rastros de torpor e de suor. Enrubesci. Falhei novamente porque lembrei que não te chamei para ir comigo.

Perdi seu número de telefone.

Cantada em dois atos, a primeira parte falava sobre um gaudério dos pampas que se apaixona pela moçinha Sidéria. Esta é uma soprana incrível, um pouco velha pro papel, de vestido vermelho e louca para o amor, se apaixona perdidamente por um foragido errante. E triângulo amoroso você sabe, continua no capítulo dois. A segunda parte adquiriu tons âmbar, tons marrom, tons ocres, tons de veludo encorpado feito cor isósceles que rompe ambígua com tudo no mundo feito espada de dois gumes.

A morte vem para amolecer e não para dissuadir, afinal casos amorosos não se extinguirão jamais, ou enquanto a paixão for o eixo giratório do mundo.

Estaria muito entediada se não fosse os tons escarlates da mise-en-scène que tingiram a minh’alma de magenta.

Vi surgir uma epifania reveladora.

No do fim do segundo ato, Sidéria caiu morta, atingida por ponta de faca. O sangue envolveu o espetáculo com um manto rufo e explicíto carmin. Pensei que, antes, quando o casal trocava juras de amor e mimimis, doces demais para uma pessoa ranzinza como eu, a personagem principal, Sidéria, era a única que carregava o peso do vermelho nos ombros, nas vestes e no coração.

Era ela a vítima do começo ao fim.

Ela já sabia?

Na verdade, acho que a Morte já a cercava antes durante e depois. Tudo na vida futura não passava de sombras do presente, infortúnio predestinado do golpe da morte, antes dele acontecer.

Ai.

Já parou para pensar senhor Schultz – como se você tivesse um bafão de charutos e cinquenta anos de idade – que sabemos tudo e fingidos, brincamos de distrair?

O simulacro nunca é aquilo que esconde a verdade – é a verdade que esconde que não existe. O simulacro é verdadeiro. Baudrillard*.

Quero dizer, o simulacro do presente alimenta o simulacro do devir. Os simulacros do presente e do futuro se costuram, são os mesmos.

Banda de Moebius.

O espaço e o tempo se entrecruzam. Que dirá os corpos.

Nenhum acidente de fato existe. Nem um assalto, uma tragédia, um rapto, um susto, ou um homicídio qualquer como o da Sidéria piranga ou da Julieta, de Romeu, de Charlotte, de Werther, ad infinitum e ad continum.

A peça finalmente acabou, ficou tarde… Perceba que antes dela começar eu já estava inquieta. Estranho… Assassinatos e morte enrubesceram o palco e deixaram rastros. A atmosfera ficou tão densa, que parece que Ela, a Transmutação veio, seguindo minha sombra com uma foice nas mãos.

A Morte…

… E eu… Eu não permitirei ser apunhalada pelas costas. Não eu! Esguia, levanto o pescoço e encaro, bato no peito. A coragem não é o bastante para a vitória, não é a ausência de medo, é a manifestação desalmada da superação.

Estou sendo poética, mas o simulacro é verdadeiro!

Canto que te tango

Fui a uma taverna degustar tango…

– O tango, eu disse, é o mais rubro de todos os sons poéticos.

“-Rojo!”. Gritei exaltada.

– É preciso ousar para ser acordeão. Disse eu, falando comigo mesma.

-Porque? Alguém numa mesa, de uma boca, de um desconhecido rosto, de uma nova pupila, instigante e viva, me pergunta.

– Porque o acordeon… Pausa. Levanto o pescoço pra buscar as palavras na gaiola dos  neurônios. – O acordeón… Sotaque cambalhacho hispânico arrastado, ao olhar transverso, eu disse:

– O acordeón grita. Rasga a pele e grita mais alto ainda. E como se não bastasse à dor, ele se auto-flagela, distende os músculos por mil séculos de ecos escuros. O pulso desamparado em sussurro, chega à cúspide cardíaca. Cutuca a turva curva apical, gota-a-gota. Espirra gritos e canções de altas notas. Na força dos bronquíolos hurra, jorra sangue em poços de caldas e em carne vívida. Fulgura. E então o acordeon se estica até o último suspiro. O som declina. Quarta é dó.

Eu respiro, inspiro. Fixo o olhar para a quina do teto.

Com a visão periférica, percebo que alguns olhos com óculos, olhos curiosos, olhos passivos das mesas ao lado voltam todos para a minha direção. Mas isso não é importante. Eu me silencio e abro meus tímpanos e parelha apenas ao tango. Vem na minha cabeça todas aquelas cenas de sangria cardíaca, elas passam pelas minhas artérias finas como nota visceral do Piazzolla (si, viajamos pela capital portenha) arisco atira notas altas pelas paredes. Me chama a atenção a artéria (subclávia?) do cantor, serpente dos cabelos da Medusa, no pescoço até o peito, todo enrolado numa lapela branca com botões. O seu pulso está à todo vapor, soquete carregado de pólvora.

A explosão ardil da sonora coisa chamada tango…

Fecho os olhos e tenho contrações espasmódicas no diafragma, tão apertado, o peito emite um único ruído, um único som esquisito e involuntário, algo parecido com um gemer.

Tormenta espessa, cor cereja, numa soma do solilóquio com o sol-o solitário e febril do tal acordeón.

Abro minhas pestanas, deparo com 10 olhos de 5 cinco cabeças pretas, piscando as pálpebras com cara de “e aí?”.

Minha voz sai clara e límpida. Viro o pescoço.

– Me perdi, disse.

Absolvida, fixo meus sentidos no acordeón. Ele se contorce, torce, afina, feito chiclets. Baforo a fumaça do cigarro – porque na Argentina é permitido ser chaminé xamânica dentro das tavernas. Pausa. Limítrofe, ele grunhe tanto quanto suporta em sístole nervosa, em diástole ardida, bate, bate tum, bate tum-tum bate tá- tum-tum, bate tá, bate tão forte a ponto de pairar.

Coloco a mão no queixo e respiro profundamente.

Olhos nos olhos do acordeón, que vira súbito e finge não me ver. Ele sabe que estou ali, sabe que eu falo dele, sabe… e por isso enrubesce, por isso aquece os convivas, e por fim, altivo, ele ri, ri porque é esnobe. É vil. É argentino, é Porto malévolo, um homem astuto, viril. Ele deve saber que sou peregrina e portanto, num passo largo de dias, não estarei mais ali.

Acordeón diabólico sedutor que brinca de bailar e tragar. Acordeón que mendiga porque gosta do pó das solas do povo, gosta de mãos suadas dos aplausos, mas não esconde o coração nobre, forte de realeza. O coração é a coroa do rei Acordeón.

O acordeón me cantou!

Fui levada para perto do acordeón para que ele visse meus olhos tingidos de preto, meu vestido âmbar brilha. Meu corpo enamorou imóvel na cadeira de ferro, mas alguma parte de mim dançou feito Babalon, a puta escarlate insana e atrevida.

Tive que voltar a falar para não me sorver e dissolver meus carbonos sólidos ali mesmo. O meu amor foi correspondido por um nobre instrumento. Nostalgia, inquietação. Rubor alento.

– Eletro-cardio-tango! Gritei alto.

O instrumento termina de se espichar todinho, parece um leão deitado na relva em dia de sol. Mandrião, sacia satisfeito o saboroso prato musical que acabou de devorar. O leão acordeón prepara seu alimento, self service, sem amas, sem damas de leite, sem subalternas. Ele é mais do que um lânguido leão. É um escorpiano voluptuoso que depois do sexo violento-violáceo, sabe que se entregou, porque sabe que doeu, doeu porque sabe que não negou, não negou porque sabe a beleza de ser nu, em carne e osso, em dentes e unhas, em osso e em viga, sem torres. Pulsação a curta, média e longa distância, é elétrico mover, pulsação desse corpo que escorre prazer. Néctar maduro que pica, e o veneno salpica veias até tufas medulas rígidas! Coração exposto em ferida explícita, porém incomovida, inconsolável e nunca mais nunca vezes nunca ao cubo, arrependida.

– O acordeón, falei, é um bicho arisco, feito sem medida para as praças e luas que desembocam no outono. Essas que convidam a gente a pensar e ser mais profundo. Essas noites irritantemente frias, irresistíveis, charmosas. Noites sofridas de cachecol e duas meias de sol-idão. Noites espaçadas com ventos alongados dos braços feitos pelo Pai Andes. Ventos à procura de alguém ou à procura de nada.

Entra o piano. A calma estende as asas felpudas na sua cauda. Por enquanto.

Preciso esquecer que sofri. O bandoleiro me abandonou.

– Depois, disse eu, o tango, que era um coração de leão, vira um gatinho domado, ele mia, esfrega o pelo tal como felino dócil que afaga o corpo nas pernas do dono. Ele amassa, ele se deixa apaziguar pelas mãos finas do pianista. Este merece muito ser descrito. Ele está vestido de fraque, com aqueles cabelos pretos e longos, lambidos pra trás, sebosos como só os torcedores do Boca sabem ter – esses uivantes bebedores de Quilmes e vinho de caixinha. Cara pálida e olheiras fundas cor de batom sabor uva do pianista. Tétrico, fúnebre, mas entendido. Dedilha gótico fá mais mi, dó, dó, dó, dó, dó, dó… Los pajaros perdidos… Leveza às vezes, susto noutra, candura de quem chupa um picolé e deixa a alma pronta para uma cantiga de ninar…

Parca inflamada pelo vinho de Mendonza, não resta nenhuma confabulação retórica, nem um brado retumbante à Baco.

Bebo um gole e digo:

– Beije-me. Beije-me tango! Juro… Amarei teu vermelho. Sempre e talvez. Beije-me calma e entre em mim só mais uma vez. Lembrarei-me da boca e da tua presença régia, tão autêntica, como noiva lembra o diadema que pesou no encéfalo um dia.

Senti-me a Evita Perón do acordeón.

– Eu reinei no que nunca fui.

 A noite, senhor Schultz, além da nublada insensatez, é um delicioso jardim de caos, esconde mistérios que abrigam vários prazeres. E daí? Todo mundo sabe disso.

Poucos sabem é que um desses prazeres é o tango do silêncio. Sem disco, sem toca-fita, sem gaita, sem rádio, sem CD, Mpor* 3, e qualquer coisa fútil.

Buenos Aires está ali ao lado de quem fugiu do barulho de cachorro insuportável do vizinho. As melhores viagens são feitas pra dentro.

Dia é noite no meu tempo.

Minhas pálpebras abaixaram suave e no blábláblá dessas fagulhas loucas deixadas pra jogar no meu epitáfio sobre o dito pelo não-dito. Repare bem – e melhor – no que eu não te disse, caro amigo Schultz.

O verbo improvisado silencia cheirando cigarro. Fim do tango sem fim. Preciso parar com esse vício.

A sanfona e o verso da minha voz são testemunhas da beleza.

Se o belo deixa lacunas do exprimível, o belo é verdadeiro, portanto, é o ideal que não pode deixar de existir.

O meu recitar a esse amante antigo, o tango, junto com o sigilo discreto da pausa, levantaram as minhas colunas jônica, coríntia e dórica. Jardins inefável, ébrio da imprecisão do existir. Pálido e insípido, insosso e incolor o entorpecer lúcido.

Palmas claras estalam e os 10 pares de olhos, com suas 5 cabeças movem as mãos e saúdam o amor, o verso, o riso. Aplausos! Aplausos ao tango, ao acordeón, ao pianista tétrico!

– Evoé! Gritei.

É claro você vai gostar dessa minha exclamação, Senhor Schultz, porque eu gostei muito do livrinho do Nietzsche que você me deu, “Ditirambos de Dionísio”, expressão malevolente dos corpos – copos – vazios.

Todos os seres das três mesas brindam com os dentes brancos tingidos de violeta.

Camarero! Chamei.

Peço ao garçom mais uma garrafa de vinho. Ou uma overdose da música exagerada de azucena alcoba?

Ah, Senhor Schultz, aqui em Buenos Aires há muitos Apolos e Plínios, Zeuses e mais uma lista de homens garbosos, que eu insisto em batizá-los de nomes e de deuses gregos. Parecem todos herdeiros venustos, com ar de macho que é de tirar o fôlego!

Tudo me inspira, mas o tango encorpa, acho que o tango sucede a inspiração, é uma fôrma que se adapta a qualquer desejo, desde que muitíssimo intenso.

O que isso tem isso a ver contigo?

O tango para mim é uma fusão de um amante escorpiano com uma taurina. Você escorpiano, eu taurina. Isso é uma cantada?

Violenta, talvez. Porém não esqueça que tenho senso leve de humor, e quando trata de pessoalidades, escondo o jogo com brincadeiras e sumiços. E por falar em sumiços, agora você já deve ter uma ideia do que eu estou fazendo aqui extraviada, entre ruas, museus, mausoléus e travessas portenhas, como agulha no palheiro.

Mas o câmbio é divertido! Real-dólares-pesos-real. Dá para ferver dinheiro na panela de pressão e distribuir pros pobres.

Na Argentina eu sou rhyyyyca! Rhyyyyca!

Só hoje! Porque amanhã eu tenho que pingar meu colírio alucinógeno. Rárárá!

Cito um versinho em voz alta na rua, em português mesmo porque faz mais sucesso entre os argentinos:

Dai a Deus o que é de Deus

E dai a Lea todos os Césares!

Viva o Baco e os pés que imolam suas uvas!

Apesar dos queixos quadrados e elegância que muito me agradam, meu quisto Schultz, reúno os traços de seu rosto como um quebra-cabeça, e com mil arquétipos fisionômicos, consigo encaixar o seu numa nuvem bem velha e rala de pensamento.

Sinto sua falta, mas não sofro por castigo! Quando voltar, juntaremos as peças-fragmentos e com duas vezes mil platôs montaremos um quadro, colocaremos uma moldura vermelha para combinar com meus tangos tortos e o batizaremos de “Saudade”. Pode ficar na sua sala para você lembrar de mim.

Escreva-me sim!? Ou não. Tenho preferências telepáticas, reconheço. Mas é verdade que você escreve bem e mais verdade ainda: vai me alegrar ler de novo em português. Mais verdade do que estas três: eu estou louca para saber o que passa nessa sua cabecinha e no seu coração que vibra ousadia.

Tenho mais uma pra contar.

Foi na Argentina que aprendi a dançar com o peito. A dança é a primeira arte que nasce após o sofrimento. Por isso, abro mão das minhas falácias e burburinhos inúteis que soam piores que enxames alucinados de abelhas irritadas no seu ouvido.

Come mal e estufa de gazes quem vive à base de verbi-voco-infernais e pouco deglute não acha? Uma hora explodo. Sopas de letrinhas é o meu prato preferido. Poesia não compra sapatos, eu sei.  Mas como andar sem poesia?

Como vai o curso de Belas Artes?

Tem ido no Beco Bec Bar, bebaquear até babar na subclávia do Fred?

Soube que você dormiu ao lado dele, ou melhor, costa-a-costa, no final de uma babacanada dessas de tirar o vômito das tripas e jogaram uma manta velha em cima de vocês dois na alta da madrugada fria. Rárárá! Bêbado de Fred, beber até sorrir! Bebês que mamam até mugir e mugem para fingir.

Nada contra o mé. Nadinha.

Tudo contra o torpor esfarrapado de sextas-feiras, das gentes como boi, não como gente. Gente que é robô de segunda a segunda. Bebem porque não sabem fazer duas coisas senão fingir e seguir, seguir e fingir. Cidadãos pacatos que se calam por medo e bebem para cantar um eco vazio que não tem a mínima ideia da letra. Pessoas vazias. Zumbis com copo plástico na mão. Esses eu conheço só pelo olhar, que é oco.

Há porres e porres, veja bem. Leminski era o beberrão lá do Pudim, mas fazia versos em guardanapo e falava latim.

Esses bundões do Bec não tem e nunca terão essa bela pegada, pois não pegam em canetas, na dor, no poema. Não pegam em nada bom, pegam seus próprios pintos, esses punheteiros. Ao passar por eles, te conselho a praticar um costume romeno útil e deveras cortês: cuspa no chão em reprovação. Depois, saia à francesa como quem não foi visto. Como quem reprova cu-ritibanos fúteis e tradicionais da província cinza, feia e metida que se imolam feito budista sem causa.

Salud!

Um beijo salutar no seu queixo atrevido.

Doem meus dedos. Eu escrevo demás.

Lea Voss.

Buenos Aires, algum dia de maio de 2007.

*Baudrillard, é um filósofo francês muito popular em artes cênicas, ele fala da linguagem como interpretação, sempre como meio, nunca como fim. O clichê do engana mais quem fala bem, sempre é assim!

Iconoclasta

Do grego “eikon” imagem, “klastein” quebrar (quebradores de imagem) representou um movimento político-religioso contra a veneração de imagens ou ícones. Esse movimento iniciou-se no século VIII e perdurou até o século IX. Sua crença consistia em uma interpretação bíblica que apontava as imagens sacras, como ícones e ídolos, a veneração a esses ídolos correspondia a uma idolatria. Pratica essa condenada pela igreja católica. Os opositores a essa prática eram os iconófilos (veneradores de imagem) que utilizavam um discurso não a favor da veneração de imagens, mas sim da adoração dessas imagens.

Em 730, o imperador Leão III, o Isáurio, proibiu a veneração de imagens, e perseguiu monges iconófilos, tudo isso para tentar tirar o poder que os monges bizantinos tinham, e também controlar bens e riquezas da Igreja. Em seu reinado, não só imagens foram destruídas, como também mosaicos e afrescos, livros sobre santos, gravuras, altares e inúmeras obras de arte. A iconoclastia foi reconhecida pelo Concílio de Hieria de 754, e foi apoiada pelo imperador Constantino V, filho de Leão III. Esse concílio não teve participação da igreja ocidental, e diante disso não teve apoio por parte dos Papas, aumentando o cisma entre as duas igrejas.

A imperatriz Irene, viúva do imperador Leão IV, o Cazar, em 787 convocou o Segundo Concílio de Nicéia, que aprovou o dogma da veneração de imagens e assim recuperou um pouco a união com a igreja Ocidental. Os imperadores sucessores continuaram com a veneração, mas em 813, quando o imperador Leão V ascende ao poder, a questão iconoclasta é novamente posta em prática.

Durante a regência da imperatriz Teodora, o iconoclasta patriarca  ecumênico de Constantinopla João VII foi deposto, e em seu lugar foi erguido o defensor da veneração de imagens Metódio I, que durante o seu reinado ocorreu outro concílio que renovou todas as decisões tomadas pelo Segundo Concílio de Nicéia, e novamente excomungou os iconoclastas. Diante dessa data, é revogado o Anatematismo (excomunhão extrema por parte da igreja ortodoxa) e o triunfo da Ortodoxia (data em que se comemora a volta dos ícones para as igrejas ortodoxas).

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Iconoclastia

http://www.brasilescola.com/historiag/movimento-iconoclasta.htm

 

 

 

 

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