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5 Razões Para Você Ler Mulheres que Correm com os Lobos

Você já ouviu falar do livro “Mulheres que Correm com Lobos”?

“Mulheres que Correm com Lobos” é um best-seller incomum, que desafia rótulos e explicações. Lançado em 1992 pela terapeuta junguiana, poeta e contadora de histórias Clarissa Pinkola Estés, o livro traz uma profunda análise psicológica de diversos mitos contados ao redor do globo, para resgatar aprendizados contidos nos segredos de cada história sobre a natureza feminina – a Mulher Selvagem. 

“A loba, a velha, aquela que sabe está dentro de nós. Floresce na mais profunda psique da alma das mulheres, a antiga e vital Mulher Selvagem.

 Ela descreve seu lar como um lugar no tempo em que o espírito das mulheres e o espírito dos lobos entram em contato… 

é o lugar em que as mulheres correm com os lobos”

A  ideia central do livro é mostrar que, apesar de toda a nossa sofisticação tecnológica e vida urbana, pertencemos a natureza, somos criaturas selvagens que, de alguma maneira, anseia por recuperar a liberdade ancestral, como mulheres individuais e completas.

O livro serve para homens e mulheres de todas as idades, mas eu diria que é especial para mulheres jovens, que ainda estão se conhecendo e querem se aprofundar na sua busca interior. 

O objetivo deste post, é apresentar 5 razões para você ler a lindíssima obra “Mulheres que Correm com Lobos”. 

1ª razão: para aprender a ser você mesma

“… o arquétipo da Mulher Selvagem, bem como tudo o que está por trás dele, é o benfeitor de todas as pintoras, escritoras, escultoras, dançarinas, pensadoras, rezadeiras, de todas as que procuram e as que encontram, pois elas todas se dedicam a inventar, e essa é a principal ocupação da Mulher Selvagem.” 

Costumo ouvir muitos relatos em meus atendimentos, de mulheres que largaram talentos, planos, carreiras e até vontades pessoais em algum momento da vida, geralmente quando engravidaram ou se dedicaram a um relacionamento.

Na ideia do resgate do símbolo da Mulher Selvagem, que é um símbolo de poder que toda mulher guarda dentro de si, retomamos o contato com a nossa vontade fundamental, algo intrínseco e interno, que diz respeito ao nosso desejo de realização pessoal e autonomia. 

É a Mulher Selvagem que nos impulsiona a irmos em busca desse desejo perdido, talvez até de algo que nunca foi realizado, que sempre pertenceu ao âmbito do sonho, do latente, do adormecido. 

2ª razão: para superar um trauma

Em algumas fases da vida, nos vemos incapazes e fracas, desprovidas de coragem de criar ou de acreditarmos em nós mesmas. 

Quando nos deparamos com a Mulher Selvagem, vemos que sim, temos condições de sermos corajosas e cheias de atitudes positivas e trazem como resultado a plenitude.

Um dos primeiros contos usados por Clarissa, a da Mulher Lobo, é sobre o período de aprendizado do contato com a Mulher Selvagem como se fosse uma ressurreição, uma vida que cresce desde os seus ossos, secos e putrificados:

“E La Loba ainda canta, com tanta intensidade que o chão do deserto estremece, 

e enquanto canta, o lobo abre os olhos, dá um salto e sai correndo pelo desfiladeiro.”

Ao dar voz e vida para a Mulher Selvagem, podemos nos transformar, nos empoderar e novamente viver, como uma ressurreição num vale de ossos secos. 

Portanto, não importa se tenha acontecido algo ruim ou desafiador na sua vida, não importa se você acha que com os erros do passado você perdeu tempo e vigor, não importa onde você tenha nascido ou quão difícil tenha sido a sua trajetória.

A Mulher Selvagem está esperando por você, basta dar um sopro de esperança a ela, e o mais ela fará.

Estamos falando a nível simbólico é claro! Na vida prática, isso significa que podemos mudar a nossa trajetória. Não sermos coniventes, vítimas eternas e irmos adiante, tentando superar os traumas sociais, morais, educacionais e qualquer outro fator limitante.

É claro que isso demanda tempo. Eu diria que o caminho de superação de traumas é uma trajetória árdua. Superar um trauma é como a subida a uma montanha íngreme: exige preparo e tempo, mas o resultado compensa o esforço.

3ª razão: para encontrar seu lado forte e independente

Estamos passando por transições sociais em que o machismo e o patricarcado estão sendo reavaliados. Isso beneficia e resgata algo que nos foi perdido: nossa independência. Ainda precisamos lutar muito por direitos e leis que realmente nos permitam ser mulheres na totalidade. 

Dentro dos símbolos da Mulher Selvagem, a falta de voz, de presença e segurança com o corpo inteiro, nos leva a uma grande sensação de não pertencimento. Não nos sentimos completas e acolhidas, principalmente a nível psíquico. 

A desintegração, nos leva a um desgaste interno também, pois sempre somos levadas a achar que estamos à margem, rejeitadas e excluídas.

Um exemplo desse desejo por resgatar um lugar de força, está na história do Patinho Feio. 

“… quando a vibração específica da alma de um indivíduo, que tem tanto uma identidade instintiva quanto uma espiritual, é cercada de aceitação e reconhecimento psíquico, a pessoa sente a vida e a força como nunca sentiu antes.

Descobrir com certeza qual é a sua verdadeira família psíquica proporciona ao indivíduo a vitalidade e a sensação de pertencer a um todo.”

Se a mulher continua sendo definida como “o sexo frágil”, isso impõe a ela uma falta, uma lacuna em branco, um déficit.

A força só é alcançada quando resgatamos a força interna primordial, que vem da relação com a Mulher Selvagem. Ninguém no mundo pode dar essa força, senão a Mulher Selvagem que existe em nós. 

A Mulher Selvagem é a parte que nos está faltando, ela é a força motriz da engrenagem, o acolhimento interno para nos sentirmos completas e únicas.

4ª razão: para resgatar algo que foi perdido

A história La Llorona narra o resgate da pureza e da limpeza de um rio, dado como estancado, sujo e poluído, depois que uma mulher perdeu seus filhos afogados em um rio envenenado.

Como o rio narrado na história, a nossa psique tem algo profundo que se esconde, e podemos limpá-lo à medida que vamos de encontro a Mulher Selvagem.

Talvez a dor seja tanta, como a da mulher que perdeu seus filhos no rio, que pode ser avassalador pensar no resgate, numa limpeza ou numa solução possível. 

“No entanto, como na história, pode acontecer que a vida criativa da mulher seja dominada por algo que deseje fabricar apenas produtos do ego, que não têm nenhum valor psicológico duradouro. 

Às vezes existem pressões originadas na sua cultura que lhe dizem que suas idéias são inúteis, que ninguém vai se interessar por elas, que é vão o esforço de continuar. 

Isso é poluição. Isso equivale a derramar chumbo no rio. 

É isso o que envenena a psique.”

A vida criativa e a abundância podem ser recuperadas, se fizermos uma limpa nas camadas internas da psique, e assim, teremos novamente vida. A autora cita os ciclos naturais e passageiros da existência, com suas fases de vida-morte-vida, como ela assim o chama. 

Temos que entender que às vezes as coisas fogem do nosso controle e sim, nos sentimos como um rio que está a apodrecer, fraco e envenenado. Mas temos que encarar isso como uma fase, e não como um fato. 

“A natureza da vida-morte-vida é um ciclo de animação, 

desenvolvimento, declínio e morte…”  

A autora oferece a mudança de perspectiva, ou seja, não encarar vida e morte como opostos e sim, interpretá-los como forças complementares. Esquerda e direita. Quando uma termina, começa a outra.

A vida criativa ou qualquer outro bloqueio poderá fluir livremente quando saimos da estagnação e nos abrimos a mudanças em nosso mundo interno. Limpar o rio é limpar nossas próprias emoções!

5ª razão: para traçar o seu caminho de cura 

A cura é uma proposta constante no livro, em cada capítulo, em cada história. A Mulher Selvagem é o antídoto.

“Os recursos da vida com a natureza instintiva são muitos, e as respostas mudam à medida que você muda e o mundo muda e por isso não se pode dizer:’ ‘Faça isso e aquilo nessa ordem exata, e tudo ficará bem.” 

Não existem fórmulas prontas para acessar a Mulher Selvagem, mas todas podemos acessar. Você pode fazer a seu modo. 

O livro é um convite para entendermos que, algumas coisas que andam paradas, tristes ou simplesmente não funcionam, na verdade não derivam do mundo externo, e sim, da falta de contato com o nosso próprio universo interior. 

A Mulher Selvagem que corre com os lobos, é uma metáfora do retorno à vida saudável. Correr com os lobos, na verdade, não tem um único significado objetivo. Tem a ver com a constante comparação, no decorrer de cada capítulo do livro, da mulher reconhecer dentro de si a Mulher Selvagem e as semelhanças com os lobos, o nosso lado instintivo. 

Apesar de nem sempre reconhecer, somos intuitivas, temos capacidade de devoção, uma equilibrada ternura, podemos nos conectar profundamente com a natureza, conseguimos nos adaptar a diferentes circunstâncias e temos uma força que vai muito além do nosso conhecimento, assim como a nossa coragem feroz e a aptidão orgânica de cuidar da nossa cria, nossa matilha e nossa parceria.

Qualquer semelhança com matilhas de lobos não é mera coincidência!

Esse foi um breve relato do livro, muito breve e superficial. Há diversos ensinamentos e histórias, todos ricos e cheios de saberes simbólicos, ancestrais. 

Deixo o convite para que, hoje mesmo, você leia o livro, independente de ser homem ou mulher. 

Encerro com o meu trecho preferido:

“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. 

Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. 

Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. 

Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. 

No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. 

Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.”

Preparadx para correr com os lobos? Aceite o desafio e se supreenda!

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