Tarot

Qual Tarot devo comprar?


Você pesquisou na internet e descobriu uma variedade imensa de baralhos. Agora você está com uma dúvida e não sabe qual escolher.

Sim, eu imagino bem o por quê.

A cada ano, mais de 100 baralhos de Tarot novos chegam às lojas de todo o mundo. São versões de baralhos antigos, criações artísticas a partir de cartas de Tarot de baralhos conhecidos ou mesmo um oráculo totalmente diferente daquele que conhecemos por Tarot. 

Mas você já se perguntou por que são tantos? Qual é a diferença entre eles? Ou se existem os melhores e os piores nesta lista interminável?

Conheça os principais tipos de Tarot para você acertar na escolha!

Os 78 Arcanos

Esse deve ser o primeiro requisito quando você for comprar o Tarot: ele precisa ter 78 Arcanos. 

Aliás, o que deve ficar bem claro é que todo Tarot de qualidade se divide em dois grupos: os 22 Arcanos Maiores e os 56 Arcanos Menores, sendo que 16 desses são as quatro cartas das quatro Cortes – Paus, Copas, Espadas e Ouros. 

Essa é a estrutura considerada tradicional, já que desde a Idade Média os maços eram comercializadas com este número específico de cartas.

  • 22 Arcanos Maiores – Cartas de 1 a 21 + Arcano sem número ou o Arcano Zero “O Louco”;
  • 56 Arcanos Menores – Quatro naipes: Paus, Copas, Espadas e Ouros;
  • 40 cartas numeradas de cada naipe – Do 1 (Ás) ao 10;
  • 4 Cartas da Corte de cada naipe – Pajem (ou Princesa), Cavaleiro (Príncipe), Rainha e Rei.

No decorrer do tempo, com a divulgação massiva do Tarot enquanto instrumento de previsão, vários cursos introdutórios e formadores foram e ainda são oferecidos. Boa parte dessas atividades adota apenas os 22 Arcanos Maiores e deixa de lado os 56 Menores, como se essa nomenclatura diminuísse a importância deles.

Os primeiros baralhos de Tarot de que se tem notícia datam do século XIV, quando a produção era bastante simples, já que a tecnologia do período Renascentista em diante, até o século XVIII, permitia a impressão com apenas algumas cores.

No século XIX, com o avanço dos processos gráficos, novas versões dos antigos baralhos acabaram sendo desenvolvidas, publicadas e popularizadas. 

Novos artistas, impressões e possibilidades de interpretação abriram as portas do mercado editorial. Apesar de tantos baralhos disponíveis no mercado, é importante frisar que a estrutura clássica se mantém na maioria deles.

Os baralhos mais famosos do mundo 

Dentre os mais variados tipos de Tarot disponíveis no mercado, citamos quatro dos mais importantes da literatura esotérica e mais usados de todos os tempos.

  1. TAROT DE MARSELHA

Conhecido no mundo inteiro, o Tarot de Marselha é um dos baralhos mais antigos. Embora não se tenha documentos que atestem sua existência antes do século XIV, é dito que o provável berço do Tarot de Marselha seja o norte da Itália, logo introduzido na França, especificamente no sul, onde passou a ser copiado e comercializado como um instrumento lúdico. Suas imagens são medievais, assim como suas cores primárias, devido aos recursos gráficos da época.

Sendo um baralho clássico, estrutural e conceitual, dele deriva a maioria dos baralhos de Tarot lançados desde o século XVIII. 

  1. RIDER-WAITE TAROT

O Tarot mais vendido em todo o planeta foi concebido pelo ocultista inglês Arthur Edward Waite e executado por Pamela Colman Smith, escritora e prolífica ilustradora inglesa. O baralho completo veio a público em 1910, mesmo ano que seu livro, “The Pictorial Key to the Tarot”, editado pela “Rider&Son” de Londres.

Dentre todas as alterações que seus criadores fizeram na estrutura tradicional (como trocar de número os Arcanos 8, “A Justiça” e 11, “A Força”), o grande efeito prático deste baralho está nas 40 ilustrações dos Arcanos Menores numerados. 

Importante! Vale lembrar que essa mudança na ordem das cartas, em nada interferem na interpretação das cartas como um todo.

Nas três taças no arcano “Três de Copas” dos baralhos tradicionais, no Tarot de Waite vemos uma cena de celebração entre três donzelas que brindam com seus respectivos cálices. Devido a essa inovação, com vários clones sendo desenvolvidos e comercializados, grande parte dos baralhos lançados até o momento recebem suas influências.

  1. TAROT DE THOTH

Uma das personalidades mais polêmicas do universo esotérico que criou seu próprio Tarot foi o escritor e mago inglês Aleister Crowley. Entre 1938 e 1943, ele uniu forças à artista plástica Frieda Harris para compor as 78 cartas do seu baralho de Tarot, considerado por estudiosos como o legado de todo o conhecimento de Crowley.

O Tarot de Thoth, também título de um livro publicado no ano de 1944, trazia descrições e correspondências dos Arcanos com a Astrologia, a cabala, poemas e hinos relacionados a cada uma das cartas e algumas sugestões de uso. 

O baralho é atribuído a Thoth, Deus egípcio da escrita e do conhecimento (Hermes de Trimegisto, para os gregos e Mercúrio para os romanos), que dizem ter deixado um livro com todos os seus saberes. Esse livro chama-se “O Caibalion”, que narra todos ensinamentos que podem ser transmitido pelas cartas de Tarot, ou seja, a base teórica do Tarot, é exatamente a mesma que os “Sete Princípios Herméticos”, transmitido no Caibalion.

A repaginação arquitetada por Crowley e executada por Harris impressiona colecionadores e leitores de Tarot do mundo todo por suas associações entre imagens tradicionais e figuras arquetípicas (como, por exemplo, “A Sacerdotisa”, representada como a deusa romana Diana, protetora das virgens e grande senhora da caça).

As nomenclaturas dos Arcanos sofrem algumas alterações consideráveis, mas a mais marcante é a troca dos Pajens por Princesas, Cavaleiros por Príncipes e Reis por Cavaleiros. Essas mudanças fizeram com que muitos baralhos influenciados pelas associações de Crowley fossem concebidos e lançados com essas alterações.

Crowley explicou que fez tais alterações pois considerava seu baralho além do seu tempo, e que queria empoderar a mulher com posições de autoridade e respeito, dando início a uma ideia de igualdade de gênero, muito considerada hoje em dia.

Os baralhos derivados dos de Waite e Crowley trazem comumente Reis, Rainhas, Príncipes (ou Cavaleiros) e Princesas (Pajens). 

Além das alterações estéticas que Crowley e Harris empreenderam com sucesso, os Arcanos Menores, com exceção dos quatro Ases, receberam títulos afinados aos seus respectivos atributos oraculares. 

Exemplos: O “Dois de Copas” é chamado de “Amor” e o “Cinco de Espadas”, de “Derrota”. Isso com certeza é um diferencial, principalmente para iniciantes que não conhecem totalmente os significados de cada carta.

Para facilitar os seus estudos, acompanhe todos os títulos na tabela abaixo: 

Naipe de PausNaipe de DiscosNaipe de EspadasNaipe de Copas
Ás – princípio da
energia
Ás – princípio do
trabalho
Ás – princípio
da ideia
Ás – princípio
da emoção
2 – Domínio2- Mudança2 – Paz2- Amor
3 – Virtude3 – Trabalho3 – Dor3- Abundância
4 – Conclusão4 – Poder4 – Trégua4 – Luxo
5 – Luta5 – Preocupação 5- Derrota5 – Decepção
6 – Vitória6 – Sucesso6 – Ciência6 – Prazer
7 – Valor7- Fracasso7 – Futilidade7 – Deboche
8 – Rapidez8 – Prudência8 – Interferência8 – Indolência
9 – Força9 – Lucro 9 – Crueldade9 – Felicidade
10 – Opressão10 – Riqueza10 – Ruína10 – Saciedade

Assim, ao invés de ler “Dois de Copas”, por exemplo, você pode ler  “O Amor” e assim, entenderá mais rápido qual é o tema central da carta.

IMPORTANTE: No “Curso de Tarot – A Iniciação”, chamamos o Pajem de Princesa e o Cavaleiro de Rei, por aceitar o entendimento do Crowley,  mas isso em nada interfere nos significados do Arcano. Para as outras figuras (Cavaleiro, Rainha), mantemos a nomenclatura original.

Entenda melhor essa diferença através da tabela abaixo:

Tarot de MarselhaTarot de WaiteTarot de Crowley/Harris
ReiReiCavaleiro
RainhaRainhaRainha
CavaleiroCavaleiroPríncipe
Pajem/ValetePajem/ValetePrincesa
  1. TAROT MITOLÓGICO

O Tarot Mitológico foi desenvolvido pela astróloga americana Liz Greene em parceria com a taróloga Juliette Sharman-Burke e concebido pela artista plástica Tricia Newell. Desde o seu lançamento pela editora Fireside em 1986, o baralho é também um dos mais traduzidos e vendidos em todo o mundo.

Adaptando as imagens medievais às diversas personagens e passagens da mitologia grega, até hoje se propaga a ideia errada de que este é o Tarot “mais fácil” para se aprender. Embora seja uma contribuição relevante ao universo artístico do Tarot, nenhum profissional que pesquisa a história e a simbologia do oráculo sugere seguir à risca as associações oferecidas. 

Manter atrelados o arcabouço simbólico do Tarot e a profundidade de um mito acaba confundindo leigos e limitando tanto o oráculo quanto a narrativa grega. É um fenômeno de vendas que merece atenção e cuidado.

Apesar do rico simbolismo e das inovações dos baralhos que merecem igualmente longo e árduo estudo, pouca coisa muda em uma leitura, já que em essência eles preservam a estrutura tradicional do padrão marselhês.

Tanto Waite quanto Crowley, às suas maneiras, foram fiéis aos atributos clássicos das cartas. O que realmente importa é o uso que se faz de determinado baralho. A única condição, como já vimos, é que um Tarot só é de fato um Tarot se possui os 22 Arcanos Maiores e os 56 Menores, isso é uma convenção. Hoje, com o mercado cada vez mais amplo, é possível escolher o Tarot que melhor se adapta ao gosto visual do intérprete.

Mas afinal, qual Tarot devo escolher?

Todo baralho traz uma visão única e especial. Conhecer seus segredos, sua origem e um pouco mais de quem o desenhou, é algo importante para os que querem levar adiante dos estudos das cartas. 

Mas cabe a você estabelecer uma conexão com suas cartas, então, a escolha é única e simplesmente sua. Fora toda a seriedade do estudo, podemos aproveitar a diversidade de Tarot para a diversão também, além de explorar o mundo dos mitos.

Todos os Tarot’s que contém 78 cartas são ótimos para você jogar, o importante é deixar sua intuição fluir junto com as lâminas.

Gostou das dicas?

Que tal praticar um pouco e jogar com o seu Tarot preferido?

 

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