Tarot

A Numerologia e o Tarot

A relação da Numerologia com o Tarot apresenta muitos ângulos enriquecedores e que podem ser aprofundados sem limites. No entanto, a maior parte dos manuais de Tarot não vai muito além de um receituário simples e pronto de cada número.

Essa limitação é compreensível na leitura superficial, tanto pelo interesse e a utilização informal, quanto na leitura de cartas e na numerologia popular, que se satisfaz com descrições simplificadas sem maiores fundamentações simbólicas. 

É frequente encontrarmos, para o esclarecimento dos números atribuídos aos Arcanos Maiores e Menores, associações às 22 letras do alfabeto hebraico e as 10 sefirot’s da Árvore da Vida. 

Aos iniciantes e àqueles que desejam compreender as relações entre os símbolos numéricos e as cartas, recomendo vários estudos, em diferentes níveis de profundidade. 

Vamos começar?

Os símbolos numéricos de 1 a 10

“Tudo está disposto conforme o Número”

Pitágoras 

Platão não fez mais que divulgar a definição do mestre Pitágoras, em fragmentos que se tornaram célebres: “O número é o próprio conhecimento”. Apresentamos, abaixo, resumos simbólicos que podem ser aplicados aos dez números que encontramos nas cartas numeradas do Tarot.

0. O Zero

Simboliza o princípio vivente em repouso e o poder latente do Verbo. Não é um valor, mas valoriza as coisas. Não é uma medida, mas a razão pela qual tudo existe; não é uma imagem, mas sim o espaço em que as imagens se formam. 

É o mistério que tem em seu ser todos os mistérios. No Cosmos, representa o vazio insondável; na astronomia, o círculo do Zodíaco; na geometria, o espaço em que se formam as figuras; na música,  o silêncio  que  modela  os  sons;  no homem, a aura que circunscreve o corpo.

Como princípio de formação no homem:  o zero é a possibilidade em potência, a razão pela qual as razões não o são. Não o identificamos a qualquer idéia: é anterior à volição, a aurora do nada. Os hindus o chamam sunya, o vazio; os árabes cefer, cifra. 

Em nosso saber representa o Todo não conhecido ao qual os gregos erguiam altares em meio aos Deuses. Promete recursos incógnitos para o triunfo da boa causa, dando a cada um segundo o que lhe é devido, ao que é direito, direito, e ao que honra, honra.

O Um 

É o princípio ativo que se fragmenta para originar a multiplicidade e se identifica com o centro, com o ponto irradiador e a potência suprema. Diz respeito ao estado paradisíaco anterior ao bem ou ao mal (e, em consequência, ao estado prévio a todo o dualismo).

O princípio de unicidade, do indivisível, do que é limitado em si mesmo e ilimitado em seu potencial. Pitágoras diz que é o espermatozóide, o pensamento, criador de todas as idéias; a memória, o fundamento do conhecimento; o espírito jovem sedento pela vida, pois cria e permanece igual ao que era antes de criar. Como número, representa os humanos, o único animal que caminha ereto. 

Na astronomia relaciona-se com o Sol, na música com a nota dó, na geometria, com o elemento linha, na mente humana com a linearidade, na forma com os monolitos, no corpo, com o falo. É o princípio ativo vivente, que, por reflexo de si mesmo, forma a matéria densa.

Como princípio de formação no homem: o 1 é o determinado, a iniciação, o que estimula para que as coisas sejam: a Vontade. É a identidade, o impulso, a iniciativa e a persistência. Promete domínio dos obstáculos materiais e iniciativas felizes, dando início ao pioneirismo da ação.

O Dois

É o binário, a androginia, o choque dos opostos, o conflito, a contraposição. Número do dimorfismo. Inaugura o dualismo, representa uma etapa desafiadora do caminho iniciático. 

“O um a ideia de identidade, de unidade, de acordo e simpatia no Mundo; o dois a ideia do outro, a discriminação e a desigualdade.”

Moderato de Cádiz.

É a diversidade, o par, o ímpar, a divisão e a multiplicação. Pitágoras a chama Multidão, Audácia, Fonte, Fundação, Distribuição, Harmonia, Paciência. No primeiro aspecto é a mãe, elemento de criação; no segundo é a humanidade.

Na astronomia se relaciona com a Lua, na geometria com os lados do triângulo; na música com a nota ré, no astral com a cor violeta, na mente com o questionamento.

Como princípio de formação no homem: o signo 2 está formado por uma reta e uma curva, símbolos do espiritual e do material. É a Imaginação, o princípio da sabedoria, a volatilidade, a adaptação, a receptividade, a aceitação. 

Representa a afinidade, a concordância das forças opostas, a relação dos sexos, o equilíbrio da moral e do material. É ordem na mão-de-obra, e Imaginação no pensamento.

O Três

Trindade, a resolução do conflito da queda. A incorporação do espírito ao binário. Entre o casal, representa o filho. Representa a totalidade harmoniosa  do  homem,  de acordo com a teoria esotérica da composição trinitária (corpo, mente ou psique, espírito).

A tríade representa o princípio da natureza em função, transmutação e manifestação. Pitágoras a chama mãe da Música, mestra da Geometria, razão da Virtude, síntese do Intelecto. 

Na astronomia se relaciona com Júpiter; na geometria com o triângulo; na música com a nota mi; no astral com a cor púrpura; na mente humana com as três dimensões.

O signo 3 está formado por dois semicírculos, que ao serem postos em contato formam o círculo completo, símbolo da alma, o princípio que reúne em si mesmo o oculto e o manifestado, o passado e futuro em um eterno presente. 

Na mente humana é Criação, Conservação e Renovação. Representa a concretização na mão-de-obra, e a Inteligência no pensamento. Promete planos acertados, obstáculos a vencer e satisfações à medida que são vencidos, dando, simultaneamente, providência, previsão e decisão.

O Quatro 


Quaternário, a dualidade binária levada ao mundo e ao acontecer. Organização racional, realizações tangíveis, ordem terrestre (as quatro estações, os quatro pontos cardeais, etc.). A dupla partição (dois e dois) já não significa separar, como no número 2, mas ordenar o separado. Refere-se a toda organização diferenciada e apta a receber nome (identidade).

É o princípio da concretização e da realidade, a realidade tangível e inteligível. Pitágoras a chama chave da natureza, direita e esquerda, o todo e cada uma de suas partes, fundamento da ciência dos números e causa de permanência. Contém em si mesma o fogo da Mônada, o ar da Díade, a água da Tríade e a terra da Tétrade. 

É o Intelecto e o Conhecimento, a Opinião e a Dedução. Na astronomia se relaciona com Urano; na geometria com o quadrilátero; na música com a nota fá; no astral com a cor vermelho escuro; na mente com o que tem volume.

O signo 4 está formado por um triângulo e uma cruz, o primeiro símbolo da divindade, e o segundo da matéria. É a materialização da virtude divina no homem; a Afirmação e a Negação; a Discussão e a Solução. 

Representa o esforço na mão-de-obra e a vontade no pensamento. Promete merecimentos e acatamentos, discernimento e previsão, dando conhecimento para aperfeiçoar e trabalhar de acordo com o que convém à realidade.

O Cinco

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é KL2CjuB8ddptfSWmzC7NUZl0UiF9T-xq2UbMyuOl1bjiNp9mQZapXZddMyDU1c_csUUN70NtBaP3JcEuSyk0P9WVCe0dnqekyzFBnerzXX2YxyH0IzJgruUfyXpA5NLIgHPoiPmN

É a quintessência atuando sobre a matéria. Os quatro pontos cardeais e seu centro. União do Céu (três) e da Terra (dois). Princípio da simetria pentagonal, freqüente na natureza orgânica. Secção áurea, proporção divina. Os cinco sentidos, as formas sensíveis da matéria. Caracteriza a plenitude orgânica da vida, em oposição à rigidez da morte.

A Pêntada representa o princípio do andrógino, o que é em si mesmo masculino e feminino e tem ação circular: o fogo vivente. Pitágoras a chama macho e fêmea, aliança essencial, o insuperável, o inconquistável, o que é justo por essência e não admite disputa: a Providência. 

Na geometria é representada pelo triângulo piramidal; na astronomia por Mercúrio; na música pela nota sol; no astral pela cor amarela. O signo 5 está formado por um círculo inacabado em sua base e por um semicírculo em sua parte superior, unidos por uma reta, símbolo da alma e espírito. Representa o desejo na mão-de-obra e a purificação no pensamento. 

Promete intuição para penetrar as causas primeiras e as razões últimas, impulso para buscar e encontrar, dando ao coração amor, desejo e alento para ir em direção dos bens esperados, como se estes já alentassem o coração e o coração vivesse a realidade do que só vive em esperança.

O Seis

Símbolo dialético da conduta humana (ação impulsiva + tendência ao equilíbrio). Número da prova e do esforço. Pórtico, passagem. Por seu caráter de reunião, número do hermafrodita.

O Hexágono representa o princípio de movimento e de repouso, vício e virtude do que é próprio e impróprio. Pitágoras diz que é a perfeição das partes, o suficiente em si mesmo, a Verdade e a Harmonia, o matrimônio e o celibato, a virtude e a degradação. 

Na geometria é representada por dois triângulos entrelaçados; na astronomia por Vênus; na música é a nota lá; no astral a cor azul; na mente o casamento das ideias. É o princípio vivente como causa operante.

Como princípio de formação no homem: o signo 6 está formado por um círculo e um semicírculo, o primeiro símbolo do alma e o segundo do espírito, os dois fundamentos pelo qual o homem existe. 

Representa a atuação do Verbo em cada ser, a aptidão geradora, a concórdia, a estabilidade, a adaptação, a tentação e a virtude que a resiste. 

É discernimento no pensamento, e ornamento na mão-de-obra. Promete privilégios e deveres, afinidades e antagonismos, matrimônio e celibato, dando luz para advertir, averiguar, observar as qualidades das coisas e abrir o entendimento para perceber sua realidade visível e invisível, como se as qualidades das coisas fossem qualidades em nós mesmos.

Como força atuante nas relações mundanas: “Panacéia nupcial”, chamavam os pitagóricos ao número 6.

O estudante que se identifica com a ‘Héxada’, conhece o mistério da lei natural.

O Sete

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é IxYR1RbLr9FH-OzNgjLWU4lyIoTJ_oWkbLLE81MPssnAGx892Hvzjo3Imm9PJMBV4tDfd0DM_N_8xdCmQtRcOy4CekFRkny5hWEa8XDNCtcsVacZLfk4106oyzyLSzeMJ_nGevuE

Soma da ordem espiritual ou mental com a terrena (ou da comunicação com o exterior). Símbolo do céu (as notas da escala, as cores, os planetas, os dias da semana). Por ser o número primo mais elevado da dezena, é considerado símbolo de um conflito irredutível, de um complexo insolúvel.

O Setenário representa o princípio da reta e da curva, do Tempo e do Espaço, do que resume em si mesmo o mundo material e é causa operante no plano moral. Pitágoras a chama Veneração, Fortuna, Oportunidade, Integridade, Voz, Causalidade. 

Na geometria é representada pelo triângulo e o quadrilátero; na astronomia pelo planeta Netuno; na música pela nota si; no astral pela cor magenta; na mente é a lei da coincidência.

Como princípio de formação no homem: o signo 7 está constituído por 3 elementos espirituais em oposição, que representam a contingência das coisas sobre o Plano em que se manifestam. 

Simboliza a ascendência do espiritual sobre o material, a força operante que atua, a coisa e o conhecimento que a identifica. É síntese no pensamento e congruência na mão-de-obra. 

Promete honra e desonra, poder magnético, pensamento acertado, justiça e reparações, satisfações e contrariedades, dando inspiração para distinguir o bom do mal, reta deliberação, correta escolha e direção no caminho que se segue, guiando a retidão dos passos para o propósito correto.

Como força atuante nas relações mundanas: “Corrente do destino”, chamavam os pitagóricos ao número 7. Para que essa corrente seja propícia, Pitágoras tornava obrigatório que os discípulos que alcançavam o sétimo grau possuíssem as seguintes virtudes: 

1ª – Terem retidão no propósito;

2ª – Tolerância na opinião;

3ª – Inteligência para discernir;

4ª – Clemência para julgar;

5ª – Serem verdadeiros em seus palavras e atos;

6ª – Disporem de graça para se expressarem;

7 ª – Contemplarem os acontecimentos com paz no coração. 

Com estas virtudes, o número 7 pode ser a corrente propícia para toda pessoa que o tenha no nome ou na data de nascimento. O estudante que se identifica com a ‘Héptada’, conhece o mistério da vida terrena

O Oito

Regeneração, expectativa. Última etapa. Número da reflexão e do silêncio. O número 8, na horizontal, é signo matemático do Infinito. O Octógono representa o princípio da evolução e da involução, da luz e da obscuridade, do que nasce e do que perece, da existência elemental e da transcendental. Pitágoras a chama Harmonia do Universo, Inspiração divina, Música das esferas. 

É o Verbo plasmado em ato, o plasma materno em cujo seio repousa a vida, a Eternidade em seu labor. Na geometria é representada por dois quadriláteros, um deles dividido triangularmente; na  astronomia  pelo  planeta  Saturno;  na  música pelo meio tom ascendente; no astral pela cor índigo; na mente humana pela lei do equilíbrio. É o princípio vivente em sua evolução.

Como princípio de formação no homem: o 8 está constituído por dois círculos em oposição, símbolo da alma em seu duplo aspecto do humano e do divino. Representa a Justiça, o repartir, o dever e o direito, o rigor e a moderação, a iluminação do conhecimento e a evidência do verdadeiro, a equidade e a equanimidade. É exaltação no pensamento, e projeto na mão-de-obra. 

Promete recompensas e castigos, retribuições e restituições, dando disposição para acatar, honrar e obedecer o que tem obediência e merece honra e acato, tanto em nós mesmos como nos demais.

O estudante que se identifica com a ‘Óctada’ ou tenha o 8 no número de nascimento, conhece o mistério da transmutação.

O Nove


É a imagem dinâmica dos três mundos (corporal, intelectual ou psíquico, espiritual), princípio da harmonia e da verdade.

O Nonágono representa o princípio do bem e do mal, o quadrado e o retângulo, a soma e o resto, a comunhão do pensador com seu pensamento e a coisa pensada. 

Pitágoras diz que é o oceano em que se movem os números, o horizonte que circunda as coisas, o que não tem competição e nem pode ser igualado. É o três vezes perfeito, pois é o quadrado de 3. Está vinculada ao planeta Marte. 

Na geometria é representada por três triângulos; na música pelo bemol;  no astral pela cor vermelha; na mente por tudo o que representa culminação.
É o princípio vivente em comunhão consigo mesmo.

Como princípio de formação no homem: o 9 está formado por um círculo superior e um semicírculo inferior, alma e espírito, a primeira em posição ascendente sobre o segundo. Representa o amor como ato puro sem gratificação, a sabedoria absoluta, a prudência, a discrição, a caridade. Supõe comunhão no pensamento e serviço na mão-de-obra. 

Promete ciência para fazer descobertas, ordem ao levá-las até o fim, cautela ao servir-se delas, dando luz da intuição e luz da razão para converter as verdades virtuais em verdades reais, sendo a luz da razão e da intuição, luz de realização.

Como força atuante nas relações mundanas: “Magnificência do grande”, diziam os pitagóricos do 9. Para alcançar o nono grau na escola de Pitágoras era necessário guardar silêncio durante 3 anos, estudar matemática durante outros 3 e haver prestado 3 serviços aos discípulos dos graus inferiores. 

Magnificência dos grandes pode ser este número para toda pessoa que o tenhano nome na data de nascimento. Identificar-se com a ‘Eneágona’ é conhecer mistério do amor universal.


O Dez

Reunião do Ser e do Não-Ser, do nada e da unidade no momento da maturidade. Força e equilíbrio. O casal na sua plenitude criadora. Fusão. A década se relaciona com a tétrade (1 + 2 + 3 + 4 = 10), e nesse sentido é a realização e o cumprimento da ordem terrena. 

Simboliza o fim de um ciclo e o começo de outro. Também a totalidade do universo, pois eleva todas as coisas à unidade.

A Década representa o princípio da periodicidade, de causa e efeito, de nutrição e renovação, do infinito em potência. Pitágoras a chama Mundo, Céu, Destino, Eternidade, Força, Fé, Necessidade, Memória, Alfabeto e Aritmética:

1º (mundo) porque abarca os valores tangíveis;
2º (céu) porque expressa os imponderáveis;
3º (destino) porque é um encadeamento;
4º (eternidade) porque não tem princípio nem fim;
5º (força) porque obriga;
6º (fé) porque sustenta;
7º (necessidade) porque atua;
8º (memória) porque é repetição de signos;
9º (alfabeto) porque compreende todos os sons;
10º (aritmética) porque contém todos os números. 

Na geometria é representada por 3 triângulos que encerram o círculo e o quadrilátero; na música é o “do” da oitava superior; na astronomia é o Universo; na mente humana é o ordem imperecível. Manifesta-se através do 1 e do 0 e das letras vinculadas a estes algarismos. É o princípio vivente em sua progressão.

Como princípio de formação no homem: o 10 está formado por 1 e 0. É a unicidade de um e a eternidade em potência do outro. Contém o moral e o material. É volição e idéia, a inteligência que formula e compreende o saber. Representa o transcendente no pensamento e a dedicação na mão-de-obra. Promete elevações e quedas, dando amor de benevolência e amor de prudência nas ascensões e atritos.

Como força atuante nas relações mundanas: “Recipiente universal”, chamavam os pitagóricos ao número 10. Também pode ser assim para toda pessoa que o tenha no nome e na data de nascimento. Identificar-se com a Década é desvelar o mistério do retorno das coisas. 

Gostou dessas informações?

Para tirar dúvidas ou conhecer melhor o meu trabalho, acesse:

Leticia Spier – Facebook

Leticia Spier – Instagram

Contato: (48) 98826-4115

Agradeço a oportunidade de poder servir!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *