Auto conhecimento

O que eu aprendi com os últimos livros que eu li

Ler é uma aventura. Dentre tantas tarefas do dia a dia, parece difícil deixar um tempo para se dedicar a leitura e, mais ainda, tirar um tempo para refletir nos aprendizados trazidos nos livros.

No ano de 2020, eu li muito pouco, pois parecia que nada me atraía, eu estava em um hiato literário.

Após assistir um video sobre leitura do Leandro Karnal, que ele lança o desafio de ler por pelo menos 15 minutos por dia, eu senti muita vergonha pois eu já fui uma leitora curiosa e assídua. Então, eu resolvi mudar o jogo, comprei um kindle e passei a ler mais.

Dessas leituras, surgiram vários aprendizados, que eu acredito que tem relação com o meu momento atual. Então eu quero compartilhar algumas lições que eu tirei dos último seis livros que eu li.

Acompanhe abaixo e se você gostar desse tema, entra em contato comigo, para eu trazer mais conteúdos das minhas epifanias literárias.

1 – Homo Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Revisitando esse livro, que eu havia lido pela primeira vez no ano de 2017, essa realmente é uma obra que todas as pessoas no mundo deveriam ler.

É claro que eu sou fã do Harari e de todas as suas obras. Suas palestras e reflexões são sempre dignas de reflexão. O livro traz diversas descobertas tanto da pesquisa antropológica e genética, que vêm contribuído para entender o passado da humanidade.

Uma das lições mais profundas, das duas vezes que eu li o livro, foi sobre a trajetória dos caçadores coletores. Sempre tive a ideia pré concebida de que o “homem das cavernas” era um cara tosco, com um tacape na mão, como no desenho do Capitão Caverna.

Mas a verdade é que a mulher e o homem caçadores coletores eram perfeitamente sãos e mais, iguais nós hoje, e surpresa: com muito mais qualidade de vida e liberdade que qualquer outro homem ou mulher que vieram depois.

Segundo Harari, ao mudarmos nosso estilo de vida nômade para sedentário, foi um tiro no pé. Segundo ele, nossa primeira revolução foi a cognitiva, que nos fez cooperativos, capazes de nos comunicarmos com alta qualidade e hábeis para trabalhar em grupo.

Mas ao mudarmos nossos hábitos com a agricultura, passamos a trabalhar mais e empobrecemos. A “jornada de trabalho” de um caçador coletor era de, no máximo, 4 a 5 horas por dia a cada três dias. Sim, isso mesmo que você leu.

No restante do tempo explorávamos o mundo de forma lúdica, brincávamos com os nossos filhos, fazíamos amor, inventávamos jogos ou simplesmente não fazíamos nada.

Mas aí passamos a nos relacionar com o trigo e achamos que era bom plantar e ter algo sempre garantido para o sustento seguinte. Com o passar do tempo, nossa qualidade de vida acabou, inclusive contribuindo para altas taxas de mortalidade infantil.

O trabalho passou a ser extenuante de 8 a 12 horas por dia, no suor de sol a sol para plantar trigo e mais tarde, para passarmos horas sentados no trabalho e no trânsito. Essa parte infernal vocês conhecem bem.

A lição mais forte do livro é MENOS É MAIS. Ao entender a relação de ser suficiente, eu optei por ter uma vida minimalista, em gestos, ações, palavras, horas de trabalho e bens de consumo.

Isso porque, segundo Harari, o desejo é um impulso insaciável, que irá nos levar a um ritmo sempre acelerado e em constante crescimento, mas é insustentável para o planeta. Harari mostra que já fomos responsáveis pela extinção de diversas espécies de animais.

A lição que guardo é uma vida mais voltada para o movimento natural, igual dos caçadores coletores, de viver uma vida com poucos bens e focada em qualidade de vida, que eu posso me relacionar com qualidade com a natureza e com as pessoas.

Essa lição tem mudado, pra melhor, a minha vida desde então.

2- Homo Deus: uma breve história do amanhã, Yuval Noah Harari

Após reler o Homo Sapiens, me fascinei e fui atrás de mais informações sobre ele, e emendei a leitura das duas obras.


Harari analisa a revolução científica que ocorreu a partir do século XVIII e volta o olhar para o futuro, em que entramos em uma nova era. No limiar do século XXI, caminhamos para a tecnologia focada na nossa imortalidade, por busca da tecnologia, da felicidade e na deidade.

“É por isso que cada vez com mais frequência indivíduos, organizações corporações e governos estão pensando muito seriamente na busca da imortalidade, da felicidade e de poderes divinos”.

(HARARI, 2016, P.58)

As mudanças tecnológicas poderão causar grande impacto no mundo: teremos robôs, algoritmos, inteligência artificial e computadores, mais rápidos e inteligentes que sequer podemos imaginar.

Harari deixa o alerta para o desemprego massivo que poderá acarretar, pois futuramente, a inteligência dos algoritmos será tão complexa que poderá substituir a profissão médica ou qualquer outra.

Isso me fez pensar muito nas religiões, que serão novas, provavelmente haverão símbolos novos, como mostra a série American Gods da Amazon. Talvez haja mais liberdade de comportamento, com a diluição do cristianismo e sua moral.

Me preocupou o paradoxo do desemprego versus tecnologia de ponta. E me fez pensar muito se quero ter filhos, pois as próximas gerações terão obrigatoriamente que lidar com isso, e não será fácil.

Gostei da parte que ele afirma que o indivíduo é uma grande ilusão. Eu já havia estudado essa ideia de ilusão do eu em correntes filosóficas orientais, como o budismo. E a afirmação de Harari fez corroborar a minha observação.

Segundo Harari, somos gestados por estímulos sociais, totalmente influenciados pelo meio em que vivemos. Acho legal essa ideia, pois descentraliza a noção egoica de exclusividade e individualidade, que é tão manipulada por marketeiros para estimular o consumo.

3- As armas da persuasão, Robert B. Cialdini

O psicólogo Cialdini, explica como somos influenciados pelo poder da persuasão e mostra as armadilhas que podemos nos esquivar dos vendedores.

Algumas armas são:

  1. Reciprocidade: sentimos obrigados a devolver um favor quando o recebemos de algum estranho, e compramos porque alguém nos fez um favor;
  2. Coerência: somos convencidos de levar um produto bom quando alguém diz que ele é bom e você confirma que ele é bom, pois não teria coerência você não levar algo que você não considera bom;
  3. Compromisso: quando uma pessoa te dá um brinde ou um vale para depois te oferecer um produto mais caro e você se sente que está comprometido com aquele vendedor;
  4. Prova social: ocorre quando seguimos o que a maioria está fazendo e compramos o que a maioria está comprando, porque achamos que se todo mundo está fazendo só pode ser algo bom, é a famosa “modinha”;
  5. Beleza: a boa aparência produz boas sensações. Não é a toa que as propagandas usam atores e modelos para desfilar ao lado dos seus produtos;
  6. Afeição: os vendedores falam que gostam das mesmas coisas que nós para que com a simpatia, consigam tirar mais fácil o nosso sim para determinado produto;
  7. Autoridade: palavras de ordem vindas de uma pessoa firme, nos trazem a memória infantil que temos que obedecer, isso pode ser usado também para sermos manipulados;
  8. Escassez: quando algo é raro, pouco comum e que pode acabar a qualquer momento, damos mais valor e fazemos de tudo para conseguir aquilo. Lembra do papel higiênico no começo da pandemia?

É interessante notar como somos sensíveis ao estímulo e ao poder de comunicação do outro e podemos ser facilmente persuadidos a comprar algo que não precisamos ou até de fazer algo não queremos.

Podemos nos ver livres de toda e qualquer obrigação em comprar e consumir, se soubermos que a persuasão ocorre em nível inconsciente e se soubermos driblar essas estratégias, podemos aprender a dizer não.


Por exemplo: todas as pessoas acham que precisam de um carro, o que é uma mentira. Mas deixamos nos convencer porque as propagandas de carros nos últimos anos foram tão persuasivas, que elas já chegaram a nos levar ao nível máximo de convencimento, que é a apologia.

A lição desse livro é que produtos se compram, coisas se vendem, mas nada substitui o caráter. A independência é saber que somos mais livres quando não estamos debaixo de uma pressão externa. É assim que se constrói um caráter forte.

4 – A coragem de ser imperfeito – Brené Brown

Descobri o livro da Brené depois de assistir sua palestra na Ted. Brené explica a vulnerabilidade, do contrário que muitas pessoas podem pensar, não é uma medida de fraqueza, mas a melhor definição de coragem.

A vulnerabilidade é a coragem de ir com o coração inteiro e agir com tudo o que você tem e é, inclusive as imperfeições.

Quando você foge de emoções como o medo, a mágoa e a decepção, você também se fecha para o amor, a criatividade e a aceitação.

Por isso, aqueles que se defendem de todas as formas dos fracassos e dos erros se frustram e se distanciam das experiências marcantes que dão significado à vida.

“Viver com ousadia não tem nada a ver com ganhar ou perder. Tem a ver com coragem. Em um mundo em que a a escassez e o medo dominam, e sentir medo tornou-se um hábito, a vulnerabilidade é subversiva.”

Bené Brown

Isso quer dizer, enfrentar a exposição, a insegurança e os riscos emocionais trazem a certeza que você é bom o bastante, suficiente e que, em essência, você é vulnerável. E está tudo bem.

A vulnerabilidade tem o poder de nos conectar, todos nos sentimos inseguros, mas ao mesmo tempo, temos vergonha em demonstrar, pois queremos parecer fortes. Mas da vulnerabilidade emana todo pertencimento e amor.

Confesso que esse livro caiu como uma luva. Aprendi a não ter vergonha da minha vulnerabilidade.

Ao tentar negar a vulnerabilidade, podemos nos entorpecer com comida, medicação, trabalho, ou qualquer coisa para não sentir o que estamos sentindo. Fazendo isso, anestesiamos também os sentimentos bons, a alegria, a felicidade, o prazer, a disposição e a gratidão.

Viver com ousadia certamente é o que me motiva, e fico feliz em saber que não preciso anestesiar qualquer parte de mim. Ser integral também é acolher sentimentos de fraquezas, medos, decepções e inseguranças.

5 – Marketing 4.0 – Philip Kotler

Comecei a ler o livro por indicação e fiquei fascinada, principalmente porque fiquei muito otimista em saber que o marketing ruim está morrendo, e conforme Kotler afirma, vai embora para nunca mais voltar.

As propagandas enganosas não vão mais se sustentar, as vendas e o marketing não são mais efetivas com aquelas propagandas maravilhosas que víamos nos comerciais de televisão como eram antes da internet e as redes sociais chegar.

A forma que nos relacionamos com o consumo está muito mais “bairrista”, queremos comprar o que nossos amigos e familiares estão comprando e, mais do que isso, o que eles estão recomendando e elogiando nas redes sociais.

As empresas não vendem do jeito que elas querem, como e quando querem. Reparem nas propagandas de moda e beleza por exemplo. Com o debate do empoderamento feminino, o corpo magérrimo, a modelo perfeita e totalmente idealizada dos comerciais, está perdendo impacto.

As pessoas querem se reconhecer de fato, elas querem ver gente como elas, elas querem que os amigos usem as mesmas marcas e passem por experiências boas, e assim vão indicar os produtos, ou vão falar super mal da marca nas redes sociais (haters).

Com o livro, eu aprendi que é um momento muito bom para todos que querem abrir sua lojinha, pois essa virada abre muito espaço e oportunidade para o pequeno empreendedor. Agora eu sou uma defensora assídua do “compre do pequeno” mais do que nunca.

6- Mindset: a nova psicologia do sucesso, Carol Dweck

Ao longo de todos os seus 20 anos de estudo, Carol Dweck descobriu o poder da atitude mental para ter sucesso ou fracasso, o que ela chamou de mindset.

O seu sucesso na vida depende da atitude mental que você escolhe adotar. Ter sucesso ou fracasso na vida dependerá exclusivamente da sua mentalidade, do seu mindset, do padrão mental que você escolhe para governar a sua vida.

O mundo não é dividido entre sucessos e fracassos, mas sim entre os que aprendem e os que não aprendem.

O best-seller  traz lições que ajudam a reconhecer qual é o mindset que está orientando a sua vida e o que fazer para mudar.

Carol explica que existem dois tipos de mindset que podemos cultivar na vida: mindset fixo e mindset de crescimento.

As pessoas que têm um mindset fixo acreditam que seus traços, talentos e comportamentos são fixos, imutáveis. Ou seja, a pessoa acredita que nasceu de um jeito e não pode mudar. Reparar e aperfeiçoar erros é coisa de fracassados.

É a famosa Síndrome da Gabriela, “eu nasci assim, vou ser sempre assim” que acredita que o nível de inteligência ou talentos de alguém é são traços inatos e fixos, por isso não podem ser alterados.

Alguém com um mindset fixo precisa sempre provar suas habilidades para si próprio e também para os outros. Quem tem um mindset fixo enxerga o fracasso como um constrangimento inaceitável, que deve ser evitado a todo custo.

Por outro lado, existe o mindset de crescimento.

O mindset de crescimento é a atitude mental que deve ser adotada por quem busca o sucesso em todas as áreas da vida.

A pessoa que cultiva um mindset de crescimento acredita que a inteligência ou qualquer outra qualidade são mutáveis e podem ser aumentadas através do esforço e treino.

No mindset de crescimento não há medo de tentar, porque as falhas e fracassos servem apenas como feedback e aprendizado para melhorar, evoluir e alcançar bons resultados: não existe nada que não possa ser realizado com o comprometimento e foco.

Confesso que sempre fui de resistir a livros que sugerem mudanças de comportamento, pois me dão a impressão de fórmulas prontas, do tipo “se eu fizer isso, tudo vai mudar”. Mas é claro que é preconceito meu e eu aprendi muito com o livro.

Me identifiquei com vários comportamentos de mindset fixo, mesmo achando que sou uma pessoa aberta ao aprendizado.

Percebi que isso tem a ver com minha criação, pois vim de um lar desestruturado, e minha mãe, para compensar uma falta, sempre me elogiava e me fazia acreditar que eu era melhor que os outros.

Certamente ela não fez por mal, mas gerou um mindset fixo, eu já detectei este comportamento há alguns anos e estou lutando para substituir por um de crescimento.

É excelente o mindset de crescimento pois tira a ideia de vitimização, de aceitar a vida como ela é, de sair da zona de conforto e estimula a fazer o melhor, não para você ser o melhor, mas para você crescer, aprender com os erros e superar a si mesmo.

Eu tomo o mindset de crescimento como estilo de vida a partir de agora.

Gostaram das lições dos livros?

Deixa aqui um livro como recomendação! Quem sabe eu leio e ele aparece aqui num próximo post?

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